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Saúde Mental na Infância e Adolescência: Sinais de Alerta, Escuta Qualificada e Apoio no Ambiente Escolar
Setembro: Um Mês de Conscientização e Prevenção
O mês de setembro, simbolizado pela cor amarela, é amplamente reconhecido como o Mês de Prevenção ao Suicídio e promoção da saúde mental. Entretanto, é fundamental destacar outras campanhas relevantes que também ocorrem neste período:
- Setembro Verde: Incentivo à doação de órgãos e prevenção do câncer de intestino.
- Setembro Roxo: Conscientização sobre a fibrose cística – uma condição genética que afeta principalmente os sistemas respiratório e digestivo.
O Impacto Pós-Pandêmico nas Emoções e Relações
O cenário pós-pandêmico evidenciou um aumento na intensidade das emoções, bem como nas expectativas nas relações interpessoais. Observa-se nas famílias tanto a superproteção quanto a negligência afetiva, ambas influenciando diretamente no comportamento infantil. Surge, então, o questionamento: trata-se de um transtorno de base ou de comportamentos passageiros?
Compreendendo o Comportamento Infantil
É comum que, na primeira infância, ocorram manifestações de birra como forma de expressão emocional. No entanto, quando não há uma intervenção educativa adequada, essas atitudes podem se consolidar como um padrão disfuncional. Para diferenciar manifestações típicas do desenvolvimento de possíveis sinais de transtornos, é necessário observar:
- Intensidade e frequência dos comportamentos
- Gatilhos ambientais
- Locais e contextos em que ocorrem
- Dinâmica familiar
- Histórico familiar de transtornos mentais
- Condições do pré-natal, parto e intercorrências neurológicas (como quedas, traumas cranianos ou malformações)
A identificação de um transtorno mental exige avaliação criteriosa por meio de exames neurológicos, avaliação neuropsicológica, exames laboratoriais (hormonais e metabólicos), além de investigação comportamental e relacional.
Intervenções preventivas e cuidados essenciais
A promoção da saúde mental infantojuvenil deve envolver:
- Rotina de sono adequada
- Alimentação equilibrada, com redução de açúcares e alimentos ultraprocessados
- Prática regular de atividades físicas
- Acompanhamento pediátrico e, quando necessário, com neuropediatra
- Atuação de equipe multidisciplinar:
Psicologia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Psicomotricidade, Psicopedagogia, Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Além disso, é essencial considerar os relatos escolares, que fornecem informações valiosas sobre a adaptação e comportamento da criança ou adolescente em ambiente coletivo.
Principais sinais de alerta na infância e adolescência
Abaixo, alguns sinais que, se persistentes e frequentes, requerem atenção especializada:
- Mudanças abruptas de humor
- Alterações no sono (insônia ou sonolência excessiva)
- Alterações no apetite (ausência ou compulsão alimentar)
- Irritabilidade excessiva
- Isolamento social
- Crises de choro frequente
- Autoagressão e comportamentos auto lesivos
- Dificuldade em manter contato visual
- Andar nas pontas dos pés
- Hiperfoco em objetos ou temas específicos
- Uso inadequado de brinquedos
- Déficits na linguagem oral
- Dificuldade em compreender ou seguir comandos
- Riso imotivado
- Seletividade alimentar
- Hipersensibilidade auditiva ou tátil
- Rigidez cognitiva e resistência à mudança de rotina
- Impulsividade e hiperatividade
- Lentificação motora
- Déficits atencionais e de concentração
A importância da escuta qualificada
Diante de sintomas recorrentes e de intensidade relevante, é fundamental contar com profissionais capacitados para uma escuta ativa e intervenções assertivas. A identificação precoce pode prevenir a evolução para quadros mais severos como:
- Depressão infantil
- Transtornos de humor
- Fobias específicas
- Luto mal elaborado
- Transtornos do neurodesenvolvimento (TEA, TDAH, etc.)
- Dificuldades de aprendizagem
- Transtornos de personalidade
A participação ativa e colaborativa da família é indispensável nesse processo. É imprescindível que os responsáveis estejam abertos às orientações técnicas fornecidas pela equipe profissional, promovendo assim um ambiente consistente e seguro para o desenvolvimento emocional.
A Relação Família–Escola–Profissionais: uma aliança necessária
A atuação isolada de um dos agentes (família, escola ou profissionais da saúde) tende a ser ineficaz. O sucesso no processo terapêutico e educacional exige coesão entre todos os envolvidos, com alinhamento de estratégias e objetivos.
Não há avanço terapêutico se o que é construído em sessão é desfeito em casa. Da mesma forma, a escola precisa estar comprometida com as estratégias propostas e promover um ambiente de acolhimento e estrutura emocional.
O Brincar como expressão emocional
Através do brincar, a criança comunica o que sente. Frases como:
- “Estou muito triste”
- “Tem um buraco no meu coração”
- “Quero sumir” ou “quero morrer”
…podem indicar sofrimento psíquico profundo, principalmente quando acompanhadas de:
- Falta de interesse por brincadeiras
- Preferência por temas tristes ou mórbidos
- Isolamento
- Choro frequente e sem causa aparente
- Automutilações (morder-se, arrancar cabelo, arranhar-se)
Esses comportamentos podem estar associados a quadros de ansiedade generalizada, depressão, ou outros transtornos emocionais.
Converse com sua criança
O diálogo deve ser adequado à idade e à capacidade de compreensão da criança. Evite perguntas direcionadoras e utilize recursos lúdicos como contação de histórias, desenhos e jogos simbólicos. O objetivo é criar um espaço seguro para que ela possa expressar o que sente sem julgamentos.
Rodas de conversa em casa: o primeiro espaço de acolhimento
Estabeleça momentos diários para que cada membro da família compartilhe emoções, acontecimentos e desafios do dia. Esse ambiente de escuta e apoio mútuo é o alicerce da saúde emocional desde os primeiros anos de vida.
Para Refletir
Cuidar da saúde emocional das crianças e adolescentes é responsabilidade coletiva. Observar, escutar, acolher e intervir de forma adequada pode evitar o agravamento de quadros emocionais e promover um desenvolvimento pleno e saudável.
Setembro Amarelo é um convite à consciência, mas o cuidado deve ser diário, constante e atento.
Por:
Gleiciane Nascimento
Psicóloga Educacional – Escola Menino Jesus/ Clínica /Neuropsicóloga e Palestrante
CRP: 02/20268
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